domingo, 7 de outubro de 2012


OS SEGREDOS DA LAGOA RODRIGO DE FREITAS

4° DIA – QUARTA

(06.04.2011)




E a água tem cheiro de mar. Achei que fosse encontrar a chita por lá já que ouvi falar do tal Rio dos Macacos, mas compreendi que a Lagoa é o espelho carioca abraçado pelo mar e tido contato com o Oceano Atlântico - mostrando o seu povo pluralizado em uma mistura de fato, incomparável.

A lagoa deveria ser mágica e, eu acreditava nisso quando sentei na metade do meu cansaço para ouvir as estórias de personagens que lutavam e se entristeciam e, me senti um dos índios Tamoios, então, pude absorver tudo que ouvi com a sensibilidade que caberia naquela tarde vazia.

Não, não podia me abater, pois estava em todo o movimento do consagrado coração do Rio de Janeiro... Sozinha e acreditando que em cada passo se faz um novo traço, então contornei o meu compasso em um olhar panorâmico... Contei 25 quiosques e em um deles escolhi para comer o famoso biscoito Globo, com o Chá Mate que parecia substituir toda a água de coco do meu Ceará, um ligeiro sabor de nada com alguma coisa que me fazia imaginar um som encantado que descia a serra para encostar a cabeça nos meus seios com a curiosidade de saber qual a batucada que tocava no meu coração...

Em um lugar desses só poderia me dar sorte – 7 era o número. 7km de caminhada no qual o telefone tocou naquela tarde vazia e fui chamada para um show.

“... na rua os carros, no céu o sol e a chuva. O telefone tocou e na mente a fantasia...”

A batucada do meu coração virou um lindo samba e eu nem precisava de 10 motivos para estar ali. Deslumbrante visão da cidade, embora não tenha conseguido entrar no Cinépolis, eu construía uma história de cinema no solo do entardecer que me fez procurar um píer pra admirar toda a beleza de uma natureza que estava a/e ao meu favor.

Hoje eu entendo porque esse local é um dos que possuem o maior índice de desenvolvimento humano do país. Olhar ao seu redor é classificar a força, a disposição, a coragem, o sabor e a beleza refletida no espelho de suas águas - no seu amanhecer e no seu entardecer, acredita-se que em cada passo da vida existem milagres acontecendo por segundos.

(Jane Eyre Queiroz)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012



O EMPREENDEDOR E O LOUCO DO PARQUE LAGE


5° DIA - QUINTA
(07.04.2011)

Alguma coisa acontece no meu coração. Será um infarto do miocárdio?"

Inicio a escrita com dois nomes que considero de fundamental importância durante a minha história no Parque Lage: Rodrigo de Freitas Mello e Castro e Rodrigo de Souza Leão (ou RSL).



Rodrigo de Freitas Mello e Castro foi um dos “sangues” reais que poderia fazer uso de posse com suas riquezas e um belo administrador que poderia adquirir bens e valores de uma grande sociedade, um verdadeiro empreendedor.


Rodrigo de Sousa Leão (ou RSL) foi um Jornalista, Poeta e Escritor admirado por tantos outros Poetas Contemporâneos. Um autêntico produtor de idéias e tentações. Sua tendência era enlouquecer o mundo com sua criatividade, mas quem ficou louco foi ele e, tão novo...  


A Coincidência, O Destino e A Centralização de Energias são grandes pontos de questionamento para os romances, ou melhor, como é dito nessa nossa “Nova Era” para os “Casos” de prováveis amores. O Parque Lage foi o local no qual pude visitar no Rio de Janeiro e que me deixou um leque de questionamentos, ao mesmo tempo em que me adaptava as inspirações dos desejos e concentração na qual eu estava dedicada.

Se nós queremos viver um “Grande Amor”, tome nota: Concentre-se, mas não como um amor platônico, e sim, um amor vivido, tocado e sentido (...). E na Escola de Artes Visuais do Parque Lage eu pude assistir apenas a uma aula de História da Arte, e o que o distinto Professor repassava aos alunos, pouco me interessava já que não estava lá para isso. A minha função principal era ocupar o meu tempo ao máximo para que logo eu pudesse encontrar na Serra, ou no Mar, o amor que não fizesse o meu coração parar. A Vitalidade é na realidade o valor do verdadeiro Empreendedorismo pelo qual devemos viver com paixão tudo aquilo que acreditamos e, nos dedicamos ao crescimento próprio, referindo-me a espiritualidade e a sexualidade, visto, no que talvez ninguém acredite, ou no que poucos teriam coragem de fazer, ou melhor, viver.

Viver um "Grande Amor" é ter tempo planejado, desejos compartilhados, sonhos não realizados e futuro descoordenado, calma, não leve isso muito a sério, eu só terei a certeza da minha escrita depois de contar essas histórias aos meus netos. De nada nunca sabemos e, do pouco muito vivemos. As minhas observações se iniciam desde o rosto de cada pessoa que frequentava o Parque Lage, aos inúmeros locais e corredores que sentimos a liberdade e a vibração - “sabe, alguma coisa acontece no meu coração...” - Além dos casais que pouco sabem da energia que o lugar os trás.

Quando eu estiver com o meu amor no Rio, vou querer trilhar o caminho que nos guiará ao Corcovado. Ali, eu não tive coragem de tanto caminhar sozinha porque todas as histórias se encontram e todos os destinos se eternizam. Se não forem aos olhos de Deus, aos olhos alheios.

Rodrigo de Freitas Mello e Castro foi o grande energizador do Parque Lage, ele que iniciou a ideia de levar um Paisagista e toda sua concentração em tornar do lugar (com muito “Amor”) as mudanças de um local em meio a natureza - no tão esperado projeto a uma adequação romancista - A prova de toda essa energia colocada nesse lugar mágico se faz quando depois de 80 anos, Henrique Lage, consegue reaver a propriedade da família. Henrique que foi Bisneto do Homem que deu origem ao nome do Parque Lage, foi  o Homem que na realidade apareceu na história com o registro do Primeiro “Grande Amor” construído no Parque. Henrique iniciou a remodelação do local que havia comprado e que foi origem dos sonhos de um Bisavô para toda a familia, além disso, a sua remodelação foi para agradar a sua esposa em cada metragem elaborado do local. O nome da esposa era Gabriela, uma talvez inspiração de Jorge Amado, que não tinha o corpo tão perfeito, mas uma voz magnífica, ou quem sabe talvez ela fosse uma Sereia surgida nas águas de Copacabana, bem, não vou confundir a “Garota de Ipanema” com a Italiana Lírica, esposa de Henrique Lage, mas que fique claro da inspiração feminina aos Grandes Homens, nos Grandes Amores.

Na condução que me levava à Rua do Jardim Botânico eu conversava com uma Senhora, que até hoje me falha o nome porque acho que nem a perguntei, mas a expliquei o motivo que me levara ao Rio de Janeiro quando ela me fez a curiosa pergunta: O que me levou até ali? Depois de explicado ela me disse: “Pequena, todo Rodrigo de Empreendedor e Louco tem um pouco, cuidado pra não cair do Corcovado”. E foi exatamente o que pude perceber em cada quilometro do “Grande” Parque, mas, uma coisa é certa, acredito fielmente que “Ninguém se conhece tanto a ponto de abrir a porta para um estranho sem saber que este estranho é ele mesmo” - Tínhamos muito em comum, pois nos mostramos confusos, em momentos difíceis – E é assim que todo grande amor se inicia... E se não inicia, se termina com a curiosidade de um futuro que nunca mais será o mesmo... Segundo a lenda de um Restaurante Secreto, que de secreto hoje não tem nada, o Benoit, poucos sabem e poucos que frequentam dizem  que: Todo amor que não é vivido, nunca entenderá porque a melhor e mais cara mesa desse lugar que existe à séculos, fica no meio do restaurante. Eu talvez nunca vá à Paris para descobrir, mas não é tão difícil chegar caminhando ao Corcovado, ou interpretar esta mesa do Bernoit bem centralizada - Acredito que se não vivemos um grande amor, nunca encontraremos o nosso próprio centro de equilíbrio.

Depois do primeiro Rodrigo, me veio o segundo Rodrigo, e foi olhando um daqueles alunos um pouco normais e outros tantos anormais que minha memória ressurgiu na lembrança do tal Rodrigo de Souza Leão, com suas anormalidades e desenhos inventados, como “A insustentável leveza do elefante”, uma recordação que me fez rir em plena aula e que imediatamente também me fez sair da sala. Acho que todos me olharam como se eu fosse o próprio RSL.


A questão é: A senhora da condução tinha razão, achei o Rodrigo Empreendedor e o Louco que ela jugou existir dentro do Parque Lage. E quanto ao início do “Grande Amor” que até eu juguei existir, não foi por nenhum Rodrigo, já que vimos o registro de um Amor no local iniciado por um homem chamado Henrique. Então, a moral da história é que nunca sabemos quem de fato será o nosso “Grande Amor”... Afinal, esquecemos que além da Serra e do Mar, existe o Oceano Atlântico e tantos mais Castelos, Príncipes e Poetas dessa “Nova Era”.

(Jane Eyre Queiroz)

domingo, 25 de dezembro de 2011

ENCONTRO COM O CHICO

6° DIA - SEXTA


(08.04.2011)
  

“O meu amor tem um jeito manso que é só seu...”
- Eu sou sua menina, viu?
Era a sexta mais esperada de qualquer sexta que já havia passado em minha vida. Nunca dei tanta ênfase a uma sexta-feira que não fosse treze, nem dia de lua cheia, e muito menos data de aniversários, mas era a sexta de concretizar o motivo de estar no Rio de Janeiro, com sentidos que transbordavam a minha razão. Para acalmar toda essa ansiedade, fui fazer o que todos os dias eu seguia rigorosamente cumprir, andava vendo o tempo passar e ouvindo histórias anotadas em rabiscos de um povo carioca, não tão rígidos, e muito menos frios e só em pensar de subir a Serra, já me deixava quente e com calafrios, então ouvia a canção com um coração saliente que bate e bate muito mais que sente.
Caminhar era uma espécie de terapia diária, enganando o tempo e transformando tudo em um ar poético, então nesse dia fui de Copacabana ao Leblon, e quando sento na areia para descansar, levanto a cabeça em direção ao mar - Vejo Chico, naquela altura do cansaço eu nadava no Oceano... Agora, mais cansada, pensava nas estrelas que olharia na noite e talvez a Lua que apareceria... Também a vida é assim, não é mesmo? Umas vezes cheia, outras minguante e depois cheia outra vez... é um ciclo que não nos deixa habituar, pois está sempre mudando, se alterando... Foi, volta a ser, será...
- “Se pudesse faria uma melodia para você...”
Chico, Chico, quantas melodias tu já não fizestes para os amores que tu já tivestes? Na minha imaturidade, te achava uma farsa, hoje acho apenas a metade disso. Você ainda não me provou ter a certeza de seu grande amor, (...) e a Teoria do Homem Cordial? Fale a promessa e cumpra, pois o que o Pai ensina, o Filho tem que cumprir... E a dor no peito que sentes, pode sim aliviar, apenas se entregue, e pare desses temores que te fazem sonhar "Sem Fantasia"... Parece um moleque, parece um menino, que tenta achar na cama a malícia de nunca ser esquecido. Você tá quase achando o caminho Chico, me deixa escapar e estará perdido, aproveite-se das minhas sensações em palavras, e toda a minha alegria, e ao invés de me julgar faça diversas melodias. Eu, desse sexo oposto que tu tanto admiras, te digo com convicção que cama boa é a que tem sensação, transe uma, transe duas, trase ao menos seis, ou às seis se assim queira, mas saiba que eu admiro mais os gestos “Com açúcar, Com afeto”, do quê nossos hormônios. Abra a porta do carro, fale ao pé do ouvida uma gentileza, ou quem sabe aquela safadeza, não se negue, não resista e faça momentos de conquista. Então, assim eu não esqueço você em mim. Quem dizia que não podia comer todas as mulheres do mundo, mas fazia um esforço, era o Jorge Amado, e de amado me causa a suspeita, ele dizia... Dizia, e morreu. “Se” comeu a metade do que a imaginação dele permitia, não teria escrito, escreveriam por ele, pois com tempo e respeito todo escritor faz com jeito. Se me soltar eu voarei pelo ar, e você só escreverá...
... Para nos tornarmos bons amores, precisamos unicamente da capacidade de nos surpreendermos, com o outro e/ou com a gente mesmo...
Ei Chico, quantos amores se achou com as coincidências que se formou? É mesmo? E quantas mulheres que já te amaram têm sobrinhos com os mesmos nomes dos teus? Somos parecidos bebendo, parece que a consciência não nos foge, apesar do corpo vez ou outra escapar... E a nossa alegria? Atrai né? E a numerologia, e os nossos signos, já viu?  E a atração por histórias de toda uma gente diferente? É tão raro eu chorar, mas com você eu confio, e você também consegue soluçar. Você tem um quê de Poeta, e eu um sei lá o quê de Poesia... Quanto entusiasmo, quanta vida nós criamos, e longe um do outro só sinto que não somos nós mesmos, nos perdemos de nossa essência, fica tudo apagado, quase tudo pintado de cinza, mas já te acho, já te ouço, já te bebo, já te sinto, já você será você em sua forma real, cante e me encante, "A Rita" não existe.
(...)
E em um estalo acordei e pisquei os olhos, olhei pra frente e o Chico me notou, e acho que ele até imaginou a confusão que fiz em minha imaginação, ele sorriu, eu sorri em retribuição e não me restaram dúvidas em levantar e voltar pelo mesmo caminho para concretizar o tal destino, mas antes de partir, deixa eu te falar... Pare de cantar “Se eu soubesse”, porque se você souber...  Não me deixará partir.
“Mas acontece que eu saí por aí
E aí, larari, lairiri... ”
(Jane Eyre Queiroz)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011


BAR DO JOÃO, E TANTOS OUTROS

7.° DIA - SÁBADO
(09.04.2011)

- Seis copos desta mistura da casa: Cachaça e Amendoim. Umas cervejas “Original”mente geladas, e 16 graus na temperatura que a pele possa sentir, por favor.


Havia esquecido o que eram misturas afrodisíacas até o amanhecer. E esses foram todos os pedidos no Árabe Restaurante, sem esquecer os Kibes, claro. Entre passos e compassos, pude respirar mais verde, mais verdade, e muito mais sentido. A sensibilidade que por vezes se retraí, é a mesma que nos traí em momentos nada imaginados.

Pude ouvir “Revelação”, e pra ir de ponto ao encontro, jamais queria ouvir “Jura Secreta”, porque o sentido trás o que é vivido – “Chorar é bonito e não faz vergonha, eu só acredito no homem que chora e sonha”, e assim diria Fagner. Estava entre as matas, e o lugar me lembrava “Jardim dos animais” que paraíso! A vontade era de levar meu povo na ponta do pé e dançar um Forró bem gostoso, como quem vive no balançar do quadril  “No Ceará É Assim”. “Bateu Saudade”...

Fui apresentada ao João, que me lembrou instantaneamente ao Poeta de Pele Vermelha: Um homem vivido, sentido, e eternizado com suas palavras em forma de poesia; hora existentes, hora improvisadas, e outras tantas horas apenas sentidas. João é uma daquelas figuras que entra para a lenda, ou para a tradição. Um tanto distraído, um tanto explosivo, que se vê na pupila dos olhos, os amores mal vividos. De olhar direto, com música na ponta dos neurônios, ritmos perdidos, e outras horas achados sem querer. Ele me serviu uma cerveja, quando o pedido foi uma água, e das descupas nada se vale:

- Se já colocastes o pecado para beber, passe a língua com delicadeza e experimente logo a safadeza.

- Ah João, se fosse assim tão fácil. Olhe para cima: Tu vês a música? Tu vês o violão? Ou tu vês o homem com a canção? Tu me dirás uma resposta simples, como a forma que vê, porque tu não tens sentimento em cima da coisa que para mim é objeto direto, repleto de adjetivos, e acompanhado de preposições essenciais.  Eu vejo cada parte separadamente, e tudo em uma só, e muito mais do que a visão possa me mostrar.

João, Altista Plástico, como assim se denomina, recita o Poema da Vida, fala de Amor e Humanidade, sussurra a importância de nossos passos, e com um sopro voltado para a lua cheia que nunca acaba; Uiva-me de graça a resposta pedida: VIVA.

Dou-lhe um sorrido, explicando a minha origem através dos versos de Patativa do Assaré, e ninguém acredita. Sigo ligeiramente embreagada o conselho de João, e continuo a estrada. O que constitui a soberba de ser sóbrio(a)? E o corpo saudável no mundo instintivo? Aqui, não faço nenhuma apologia à embreaguez, apenas um questionamento dentro da capacidade de poder sentir tudo de novo no amanhecer, com lembranças da forma diferente de "se" poder ser.

Uma janela larga, e uma natureza de encher os olhos e a boca no verdadeiro “Bom Dia”.  Água gelada, e a mais gostosa de Itaipava. O seio, o ventre, e qualquer parte onde haja neurônios para transmitir sensações – A questão em nós mesmo, não é a do formato, do tamanho, da cor, da idade; mas sim, se existe sensações, e se funcionam como deveriam. Se temos reações, se temos todo um leque, todo um espectro de sentimentos. E foi preciso o álcool para se chegar até aqui, a essa tal de lucidez reflexiva. Compreendo a vida como um ser por seu próprio mérito, que nos ama, que depende de nós, para quem, de vez em quando, somos uma grande alegria e que, de vez em quando representa à alegria para nós.

E para manter a nossa alegria, como um todo, às vezes temos de lutar por ela. Podemos ter de abdicar de muitos confortos por algum tempo. Podemos viver sem a maioria das coisas por longos períodos, praticamente sem qualquer coisa, mas não sem a nossa alegria. O caminho é dialogar com pensamentos e sentimentos que tanto nos tocam com delicadeza, quando trovejam dentro de nós.



(Jane Eyre Queiroz)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011


DO ÚLTIMO AO PRIMEIRO

8.° DIA - DOMINGO
(10.04.2011)

Nove anos, isso, 9 anos era a idade que eu tinha quando meu pai decidiu me fazer perder o medo de altura. Subimos em um prédio muito alto, e lembro bem disso, porque chegava a uma determinada altura quando eu olhava para o prédio que não conseguíamos mais contar os andares, e o sol estava baixando, e a noite começava a surgir. Chegamos na cobertura, e o vento era tão livre que brincava de rodar e assobiar. Meu pai andava com um vigor e uma disposição que eu não me dispunha a ter, foi quando ele olhou para trás e disse: “Venha, solte essa escada e ande”. Eu balancei a cabeça e baixei os olhos, e nada falei, estava com medo, muito medo. Ele se aproximou, levantou o meu rosto e disse: “Você vai aprender ainda muita coisa mocinha, e nessas lições, eu só quero que você nunca tenha medo de tentar, então preste muita atenção no que eu te direi agora...”. E com gestos ele me explicou: ”...  A sua mão direita é o mundo, e a sua mão esquerda será sempre você. A todo instante o mundo tentará te abraçar e você se sentirá sufocada e calorenta, então partirá. Mas alguns outros momentos, você irá querer abraçar o mundo, e irá pedir muita força para o prender, só que você esquecerá que a sua mão esquerda não tem toda a força de sua mão direita, então o mundo se partirá, se partirá quebrando alguma coisa, ou apenas se partirá, e daí virão as pequenas descobertas...  Aos pouco irá perceber que não é necessário de força para ter o que mais gosta, basta ter um sorriso e um abraço, e uma lição que valerá um diamante, a lição de escrever ou falar o que sente. Perceberá que as mãos não são para prender, e sim, para dar, receber e caminhar. Segure agora a minha mão, e vamos caminhar até a ponta do prédio”. O sorriso surgiu, o calafrio continuou, caminhei com ele até a ponta do prédio e olhei pra toda imensidão que existia da incrível Fortaleza, fora e dentro de mim. Fechei  os olhos e senti o vento da tal felicidade que parecia entrar no meu ventre e tirar todo o medo que me fazia sentir. E o medo parece que fica depositado mesmo dentro do ventre, porque a gente sente como calafrios a hora que ele vem,... E o momento que ele se vai...

O meu último Domingo chegou. Era para ter me levantado cedo e ter ido ao Morro de Santa Tereza. Mas não, eu não vou. Foi a decisão naquele instante. Arrumei a mala, e fui vestir o biquíni, coloquei uma canga e saí antes de chegar o horário de ir ao Aeroporto. Cumprimentei o porteiro e tirei a havaiana do pé, e a dei para as minhas mãos segurarem e caminharem com os meus pensamentos. Queria sentir tudo, e se pudesse, tudo de novo, e tudo outra vez. Não via gente na rua, não via nada, apenas meus pensamentos leves e que me levassem, e após dois quarteirões cheguei  à Praia de Copacabana. Olhei para o mar como se ele fosse me dizer alguma coisa, e nada disse, então resolvi correr. Quando a gente soa, parece que os nossos pensamentos escorregam pelo corpo. Só que os meus não só escorregaram como tomaram conta dos meus pés.  Cheguei no Arpoador e não tive dúvidas de que subiria e olharia aquela imensidão que não era Fortaleza, e nem me traria a força que eu precisava. Não chorei mais, fechei os olhos e sorri. Tive que sair e andar até o posto “7”, o primeiro posto que observei a numeração ao caminhar naquele local, e da minha maneira, cumprimentei à todos que eu passava com o meu bom dia de vida.


E que tudo seja leve, e me deixe levar. Fui almoçar com os amigos que ainda não havia visto, e tomei o “Allegra” para ao menos me alegrar, e assim me satisfazer do medo que não deixei interromper toda a minha vontade de ter vivido momentos fantásticos, quando me destinei a uma cidade de Reis e Princesas. Não comi cogumelos, logo, não cresci e nem mesmo diminuir, mas não poderia deixar de levá-los, ou melhor, trazê-los comigo. Agora me sinto grande com as lembranças, e pequena com os desejos. Ainda vou ver o morro de Santa Tereza, mas de mãos dadas aos passos que me serão dados.


No aeroporto estava lá o Capitão Nascimento, que nem um cumprimento se atreveu a dar. Mal ele sabia que a minha máquina fotográfica estava tão longe e tão bem. Pedi pra parar Capitão Nascimento, pedi pra parar. Nada mais era preciso fotografar, os melhores momentos foram fotografados e me doados, de qualquer maneira, e eu os aceitei. É preciso de tão pouco, e a felicidade é uma lenda que nos faz partir, mas no acalento do mundo ainda espero encontrar, como o vinho que nasce na serra e o mar no sertão, a encantada precisão das horas e dos momentos que ainda virão.

(Jane Eyre Queiroz)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

1934 leituras.

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6ª LINHA VERMELHA
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As linhas vermelhas são exatas divisões e/ou ligações. Dos textos escritos abaixo, apenas 7 textos remetem-se diretamente a mim. O restante são histórias compradas por olhares que pedem o relato escrito com os meus sentidos. Textos nos quais foram pedido permissão para serem publicados, com a dignidade de minha autoria e a revelação de histórias alheias.

Acima da linha vermelha, escreverei 7 dias em formas sinestesicamente vividas. 

... Textos em A d A p T a Ç Õ e S de idéias e sentidos ...

(Jane Eyre Queiroz)